Cari ragazzi!!
No último post levantei um bocadinho o véu sobre os motivos que me demoveram de ser AuPair, sem abandonar o sonho de viver um ano longe de Portugal. A guerra contra o tempo, ou neste caso em particular, contra os trintas, foi a principal razão de toda esta reviravolta! Afinal de contas, desde o fim da faculdade que a minha checklist continua praticamente intacta:
- Participar num programa de voluntariado pelo mundo;
- Melhorar o meu inglês - ser capaz de pensar em inglês;
- Estágio Profissional aceite sem 'rodinha-bota-fora';
- Trabalho a tempo inteiro na minha área de formação;
- Procura de uma casa maior;
- Compra do meu Smart;
- Mais viagens;
- Casamento;
- Filhas;
E o tempo não parou... mas desta vez quero agarrá-lo e correr com ele. Tenho a certeza que no primeiro de Janeiro de 2016 vou riscar alguns destes pontos quando baterem as doze badaladas! Mas voltando às razões que me fizeram voltar ao ponto de partida e começar tudo do zero, novamente:
- Destino: New York City - Manhattan;
- Currículo: Curso diário e intensivo de inglês;
- Cultura: Aprender e celebrar todas as tradições americanas;
- Financeiro: Ser capaz de sobreviver apenas com o recurso do meu trabalho;
- Pessoal: Testar os meus próprios limites, força e relativizar os demais. Ou seja, crescer num ano aquilo que nunca crescerei aqui em dez.
No fundo, pretendo regressar consciente que afinal NUNCA estive parada desde o verão de 2011, e que todos estes contratempos foram apenas um meio para atingir um fim. Há quem não entenda o porquê de eu querer partir agora, "agora que tenho a vidinha toda organizada em Lisboa, com namorado, "trabalho" e filhos". Mas a verdade é que é agora ou nunca. O tempo está a passar, as prioridade mudam cada vez mais rápido e eu já não caminho para nova. Então decidi que me daria esta última oportunidade de viver pelo menos um ano no estrangeiro, antes do pedido, da casa maior, das filhas do nosso sangue e da rotina feliz para o resto da vida. Na medida em que, só se cria uma rotina feliz e plena quando conseguimos aniquilar todos os 'ses' da nossa vida.
Pergunto-me como é que alguém consegue:
- Partilhar a vida com outro quando ainda não fez tudo o que quer sozinho;
- Conceber sonhos a uma nova vida quando ainda não realizou os seus;
- Encontrar um último código-postal quando ainda não conheceu o mundo.
Para mim, o princípio básico de pessoas, casais ou pais frustrados está na precipitação com que um dia decidiram o caminho a seguir. É importante ter consciência que passos gigantes como estes, devem ser dados sem qualquer tipo de 'ses' ou 'nos cruzamentos da vida'. Quando a vida nos apresenta um mundo de opções a seguir é porque ainda não estamos preparados para seguir um único caminho definitivo, porque o mais provável é arrependermo-nos ou culpabilizarmos o(s) outro(s) por uma determinada decisão NOSSA. Aprendermos e mentalizarmo-nos que somos os principais responsáveis pela nossa felicidade, e não o marido, os filhos e/ou o trabalho, ajudará a não vivermos frustados e privados dos nossos sonhos para o resto da vida. Pensamentos como: 'se eu tivesse...' nunca farão parte do nosso vocabulário, porque seremos pessoas realizadas e puras para amar e receber o próximo. Resumidamente, já basta a imprevisibilidade e injustiças da vida... Afinal nunca seremos capaz de decidir se alguém que amamos padecerá de uma doença ou não, se viverá 'para sempre' ou não, se conseguirá andar, ver, ouvir e falar ou não. Todavia, haverá sempre coisas que poderemos decidir, construir e crescer sozinhos. Sejam felizes.












