Resposta a este comentário:
Cari ragazzi, ou hoje particularmente, Cari Anónimati!!
Memorizem esta data meninas: Oito de Outubro de 2014, o dia em que a minha caixinha de recordações se tornou oficialmente um blog sério! Finalmente acordei o meu primeiro hater, oficializando a minha pertença nesta grande família que é a blogosfera. Agora sim, tenho tudo a que uma blogger tem direito: centenas de visualizações diárias, comentários fofinhos e ódios de estimação! Mas antes de proceder ao meu direito de resposta, quero apenas despertar a vossa atenção para o rigor com que este ‘anónimo’, com um elevadíssimo conhecimento de causa, fundamentou a sua opinião. Mas antes da minha bombástica resposta (adoro teasers!), queria deixar umas perguntinhas ao ‘anónimo’, na esperança de que um dia ele se torne o seu próprio lápis azul:
- Quantos ‘TÓLICOS’ (alcunha fofinha para ex-alunos da católica) que terminaram o curso no verão de 2010/2011 que estejam efectivamente empregados conhece?
- Quantos desses tólicos estão em processo de estágios curriculares e/ou profissionais?
- Quantos estão ainda a realizar e já a contar os últimos dias de estágio e à procura do próximo?
- Quantos se encontram insatisfeitos com os 8 mil euros que os papás
gastaraminvestiram nas suas carreiras? - Quantos perpetuaram os estudos ‘mestrando-se ou douturando-se’ só para se sentirem úteis na sociedade?
- Quantos acabaram por mudar de áreas só para tentar a sua sorte no mercado de trabalho?
Bem, para uma mente brilhante e iluminada como a sua, acho que já tem aqui pano para mangas! Vá, dedique pelo menos o mesmo tempo que precisou para escrever este comentário para pensar sobre o assunto. E no futuro faça o mesmo exercício antes de clicar no botão ‘comentar’, garanto-lhe que ganhará anos de vida pessoal. Seguramente, acabarão as desculpas para não praticar desporto logo pela fresquinha (hora do envio do comentário), tomar um pequeno-almoço com direito a panquecas e sumo de laranja natural, e ainda tempo de sobra para olhar para o seu umbigo e reconhecer todas as suas apti(podri)dões e perceber onde pode ‘virar a página’, espero que tenha menos de 25 anos, senão esqueça! O tempo de mudança para si já expirou! A não ser que esteja a falar com alguém que tenha um ordenado acima dos 2 mil euros, um cargo de chefia, seja bilingue e com projecção de carreia profissional no estrangeiro, esqueça tudo o que leu até agora.
Mas voltando a mim, e à minha passagem por essa grande instituição de ensino que é a Católica e as suas elevadíssimas taxas de empregabilidade! Bom, tendo eu sido, efetivamente, uma pupila concedo-me o direito e o conhecimento de causa necessário para validar todas as peripécias que experienciei.
Recuemos então quatro anos no tempo, ao meu último ano de licenciatura. Durante este período a lavagem cerebral quanto aos benefícios de prosseguir os estudos começaram a ser demasiado intensas, até para os mais distraídos... A (des)vantagem da crise foi mesmo essa, perpetuarem-nos a teóricos académicos o resto da vida. Sim, porque a prática, essa vai ter que esperar ou seguir para outro departamento/outro cachet – Centro de Estágios da Faculdade. Resumidamente, quando um aluno termina o curso na Católica (e se ainda lhe sobraram uns trocos) é encaminhado para o mestrado ou para o gabiente de estágios. E perguntam vocês, porque raio é necessário dinheiro para a segunda opção e eu respondo: porque para tudo naquelas quatro paredes é preciso abrir a carteira e vender a alma ao Diabo. Perante isto, decidi passar estas duas hipóteses à frente. Primeiro, porque depois de escolher uma área de formação demasiado cedo (18 anos), percebi que a tese de mestrado só faria sentido quando tomasse consciência:
· Do que gosto realmente de fazer;
· Se tenho verdadeiramente aptidões para;
· Se a empresa onde estou empregada apoia a minha decisão e a valoriza;
· E se é suficientemente ‘fora’ da minha zona de conforto para me fazer crescer.
E a inscrição no Centro de Estágios da Faculdade envolveria:
· O pagamento de 150€ de inscrição que me daria a possibilidade de concorrer a um estágio numa
empresa “à minha escolha” (ou seja, dentro dos infinitos acordos que a Católica mantem com o
mercado de trabalho);
· E o pagamento de quase 200€ por cada mês de estágio na empresa (atenção, que não receberia
ordenado e ainda teria que pagar pelo trabalho que desenvolveria na empresa. O coordenador justifica
este pagamento com o ‘suposto’ acompanhamento durante o tempo que tiver na empresa (bullshits!) e
a avaliação do relatório final.
Como desde o início coloquei na cabeça que não faria parte desta máfia de exploração de recém-licenciados, porque acredito que uma coisa é não receber ordenado durante um processo de aprendizagem, outra completamente diferente é PAGAR PARA TRABALHAR! Vai daí, comecei a minha luta (sozinha) pelo encontro do meu lugar ao sol. Passei por várias agências de comunicação, de meios, e alguns meios de comunicação, e fiquei chocada quando fui aceite na Rádio Renascença e a Directora dos Recursos Humanos ‘cansada’ de receber licenciados da Católica não tinha conhecimento destes ‘valores’! Pedi-lhe inclusive que mantivesse a minha candidatura autónoma, o que me foi aceite. Mais tarde, candidatei-me novamente a outro órgão de comunicação – a revista LUX – onde fui aceite para começar a trabalhar no dia seguinte. A minha indignação chegou com o telefonema da tarde onde fui informada que afinal não poderia começar o estágio no dia seguinte porque não me encontrava inscrita no plano de estágios da faculdade! Ou seja, para além de não nos ajudarem a encontrar estágios e ainda nos bloqueiam o acesso a quem tenta concorrer espontaneamente!!
Reflexos desta política:
· Estrangulamento da oferta do mercado de trabalho;
· Bloqueio a outros recém-licenciados (de outras universidades) participarem em estágios – porque os
acordos entre a Católica e as empresa assim o exigem;
· As empresas deixam de contratar porque têm sempre mão de obra disponível para colaborar;
· E este ciclo vicioso obriga-nos a ponderar a hipótese de, afinal, pertencer à ‘máfia’, sob pena de nunca
mais conseguir encontrar estágios na área.
Por isso querido(a) anónimo(a), agradece-lho imenso o seu comentário, pois tornei finalmente público um flagelo que continua a afectar imensos jovens da minha idade. Mais de metade dos meus colegas de curso preferiram voltar a investir gastar mais uns trocos (entre 8 a 10 mil euros) em mais dois anos a queimar pestanas; enquanto outros continuam a gastar ‘migalhas’ para brincar aos trabalhadores. Como tal, nunca mais se deixe enganar pelo buzz em torno da taxa de empregabilidade. Porque a era dourada, em que todos saiam dali directamente para grandes cargos, que hoje estão reservados a meia dúzia de gatos pingados (os filhos e os afilhados da primeira fornada) acabou! Confesso que se pudesse voltar atrás no tempo teria estudado mais no secundário e entrado na melhor faculdade pública de comunicação social do país – a Escola Superior de Comunicação Social de Benfica. Mesmo sentindo imensas saudades das aulas, dos professores, da organização e do rigor catoliano.










