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terça-feira, 7 de julho de 2015

Conflito geracional


Cara ragazza!!

Depois de alguma insistência vossa, finalmente resolvi responder a um assunto que, ao que parece, apoquenta muitíssimo os meus leitores:


Mas antes de passarmos à minha resposta propriamente dita, deixo-vos com duas músicas para entrarem no espírito do tema - pela vossa rica saúde oiçam as letras (todas) das músicas e por esta ordem de ideias.


Deolinda - Parva que sou

"E parva eu NÃO sou!
E fico a pensar...
Que mundo tão parvo,
Onde para ser escravo é preciso estudar!"


Gabriel o Pensador - Até Quando?

"Muda, que quando a gente muda o mundo muda com a gente.
A gente muda o mundo na mudança da mente.
E quando a mente muda a gente anda para a frente.
E quando a gente manda ninguém manda na gente.
Na mudança de atitude não há mal que não se mude nem doença sem cura. Na mudança de postura a gente fica mais seguro, na mudança do presente a gente molda o futuro!"

Se depois deste momento musical ainda sente que faz parte da Geração Rasca ou à Rasca, então este texto foi escrito a pensar em si.

Agradeço, desde já, a pertinência do leitor em ter deixado um comentário acerca da minha suposta "vida de luxo" em Nova Iorque. Mas acredite que "muitas vezes o que parece não é". Atenção que não estou a dizer que só fui dois minutos à piscina tirar uma fotografia com um hambúrguer alheio e depois voltei para casa cozer meias e fazer os tcp's. Pelo contrário, eu realmente tenho sabido aproveitar todas as oportunidades que esta cidade tem para nos oferecer, e efectivamente tenho o feito da melhor maneira possível. 

Concordo consigo quando afirma que infelizmente há muitos jovens em Portugal que não conseguem atingir a independência necessária para que se libertem do título de "paitrocínio". E que de alguma forma, eu lhe possa parecer mais uma menina patrocinada pelo amor incondicional dos meus pais. Todavia, uma vez mais, vou ter que lhe responder da mesma forma: "muitas vezes o que parece não é".

Como antiga dependente que fui dos meus pais, acho que posso afirmar, finalmente, que na realidade não se perdeu nada de uma geração para outra. Na minha opinião, ganhou-se bastante até. Afinal, a malfadada crise ensinou-nos a fazermos mais com menos e a sermos mais felizes com pouco ou quase nada. No fundo, a dureza do futuro incerto ensinou-nos a ver o copo SEMPRE meio cheio e a vivermos segundo esta máxima. Claro, que o mais fácil teria sido eu ter ficado em casa a lamentar-me sobre o que a minha vida poderia ter sido e não foi. Mas não, nos últimos dois anos arregacei as mangas, trabalhei afincadamente, procurei bolsas de estudos para estudantes internacionais e um dia comprei uma passagem só de ida. 

Assim sendo, a crise só me deu o empurrão que precisava para suplantar as gerações dos meus pais. A geração que emigrava para pagar a casa e os estudos dos miúdos, que se encontrava à sexta e ao sábado nas discotecas,  etc e tal. Nós, a nossa geração, aprendeu a preferir os parques e/ou a praia para matar as saudades dos amigos e a ouvir as nossas playlists nos iPhones. Aceitamos fazer "qualquer" tipo de trabalho desde que esse esforço nos leve à cidade, ao concerto e/ou à loja da moda. Não somos menos inteligentes por isso, somos é menos preguiçosos e mais audazes. E quando acaba o dinheiro para o Gin reunimos os últimos trocos e copiamos os nuestros hermanos com os botellóns.

Depois de aqui chegar, o segredo foi continuar a minha pesquisa sobre dicas sobre o que fazer a custo zero ou muito reduzido (há inúmeras aplicações que podem ser descarregadas para o telemóvel  como o FEVER, por exemplo). Claro que se aliarmos a isto a capacidade de adaptação e a uma constante crescente rede de contactos, em pouco tempo terás uma vida social super activa e praticamente a custo zero. Cuidado com a interpretação que fazem com "rede de contactos", porque entradas e bebidas à pala nos sítios fancy da cidade vieram directamente de uma personagem feminina do grupo. (Por isso, anónimo fofinho que me lês todos os dias e me envias as melhores anedotas matinais que uma blogger pode ler, desiste de entrar por aqui, okay?)

Enfim, tudo isto para dizer que o marketing em NY é levado estupidamente a sério. O que faz com que esta competição feroz crie um mundo de oportunidades para os consumidores como eu - independentes de "paitrocínio". O truque é estar atento às happy hours, aos try out, aos vales de descontos e às promoções diárias.

Posto isto, se acham que Nova Iorque, ou outra cidade qualquer no mundo, é demasiado cara ou distante da vossa realidade, façam as malas o quanto antes e partam à aventura. Porque como todos sabemos: a sorte protege os audazes!

domingo, 16 de novembro de 2014

"Anónimos" há muitos! Ups! Plágio outra vez?!

Cari ragazzi!!

Este estava mesmo a pedi-las:


Antes de mais, quero apenas justificar a minha resposta a este comentário porque me parece que no futuro poderão surgir mais do mesmo (dada a preguicite aguda instalada na blogesfera). Nessa altura bastará apenas fazer ‘copy-past’ deste e fico com o assunto arrumado - sim, eu às vezes também sofro do mesmo mal, principalmente a lidar com anónimos e leitores de segunda, porque os de primeira conhecem realmente bem o meu blog para nunca me atacarem com este argumento! E como hoje é domingo e tenho tempo (e paciência) para isto, cá vai!
No lado direito da página pode encontrar uma palavrinha mágica que o leva para toooodo um mundo sobre variadíssimos temas, mas irei provar ponto a ponto em como o anónimo está totalmente errado:

Review de filmes: Experimente clicar no botão "Cinémathèque" ou http://beuniquehere.blogspot.pt/search/label/Cinémathèque onde o primeiro post feito data de 27 de Fevereiro de 2013 - que nos leva para a minha primeira cerimónia dos óscares sem sestas! Depois, pontualmente vou falando dos filmes que realmente me marcaram ou que me identifico. O blog não é só sobre cinema (ou só sobre isso). Mas também tem uma hiperligação para "Sitcom" que é outra das minhas paixões, fazem-me companhia durante alguns anos e eu gosto disto. http://beuniquehere.blogspot.pt/search/label/Sitcom Se calhar o melhor será apagar tudo o que já escrevi até agora e nunca mais falar deste dois temas porque corro o risco de imitar milhões de bloggers espalhados pelo mundo! 

Frases inspiradoras sobre NY:
Se espreitar dentro destas palavrinhas: Me Myself and I http://beuniquehere.blogspot.pt/search/label/Me%20Myself%20and%20I 
encontrará um mundo de frases inspiradoras escritas um ano antes de eu conhecer a Diana. (Vá faça o trabalhinho de casa e ande o máximo de tempo para trás! Tem 100 post à escolha!).

Textos do Buzz Feed e do Big Appled:
Ao contrário do anónimo há muita gente que não conhece estas duas fontes, logo sempre que encontrar um post que efectivamente ache que "é a minha cara" irei trazê-lo até à minha caixinha de recordações! Até ao momento, e provando-lhe que está mais uma vez errado, só fiz referência a UM único post: http://beuniquehere.blogspot.pt/2014/11/32-verdades-que-so-quem-sonha-mudar-se.html!! E este dia foi um dos que tive mais visualizações, por isso, se voltar a identificar-me com outro, voltarei a transcrevê-lo! (Nesta altura, já estou a dar em doida e a pensar sobre o que realmente você escreve no seu blog? Sobre o bicho da maçã? Os vários tipos de corais no mundo? Ou sobre o fascinante e alucinante mundo da pesca ao caramão?!? Tenha lá atenção querido anónimo porque seguramente já deve haver por aí um macaquinho qualquer a escrever sobre o mesmo e copiar blogs alhei-os "é feio"!).

Os mesmos grupos no facebook e Instagram:
Os grupos que o anónimo refere foram-me apresentados pela própria Diana, consegue acreditar?!? Nunca procurei por eles nem fui pesquisar outros depois para seguir. E até agora nunca tive qualquer tipo de problema com as minhas ‘publicidades’ nestes espaços. Como tal, ‘se estiver mal, mude-se!’.

"Até o insanity copiaste”:
Vê-se mesmo que a burrice (perdão, a mentira) tem perna curta! Porque se se tivesse dado ao trabalho de ler mais um bocadinho do meu blog, saberia que foi a própria Diana que me enviou o link para eu fazer o download dos vídeos e me desafiou a treinar "com ela" (ainda que ela em NY e eu em Lisboa). Mas começamos assim, ela porque estava desmotivada e eu porque já não via resultados no ginásio. Prometemos que falaríamos todos os dias sobre o assunto e se fosse preciso enviarimos inclusive fotos completamente a pingarmos para que não restassem dúvidas! Mas eu dou-lhe mais uma garfada à boca que isto assim é mais fácil: http://beuniquehere.blogspot.pt/2014/07/t25-beta.html. Mais actualizações sobre o desporto no botão "Workout @ Home".
 http://beuniquehere.blogspot.pt/search/label/Workout%20%40%20Home

"A Diana escreve sem pretensão, para ajudar quem tem o mesmo sonho":
Bom, caso ainda não tenha reparado querido anónimo-fofinho-que-só-leu-a-última-semana-do-meu-blog-e-como-tal-acha-que-eu-sou-uma-copia-da-Diana (Dianinha tens aqui um óptimo advogado de defesa!!) Há uma pequenina diferença entre mim e a D: EU NUNCA LÁ VIVI! Ela tem sido o meu apoio, sem ela nunca teria se calhar avançado nesta aventura. Se Deus quiser será a minha roommate e isso deixa-me muito feliz e tranquila. Medo é apanhar um anónimo como você no quarto ao lado! LIVRA!!!
Contudo, quando pus na cabeça que iria como AuPair escrevi alguns posts a explicar o processo a quem desejasse fazer o mesmo e para não ter que responder 50 mil milhões de vezes às mesma perguntas (quem sabe um dia esta informação não será útil para a minha filha e assim já está aqui tudo guardadinho para ela ler)! Portanto, mais uma vez convido-o a carregar no botão AuPair: http://beuniquehere.blogspot.pt/search/label/AuPair para tirar as suas próprias conclusões!
Depois quando mudei de ideias acrescentei este botão: Ladybug (que significa Joaninha, o insecto, dado a cidade estar repleta de baratas e ratazanas) almost in NYC, para ir apontando todos os passos que devemos proceder (ou que eu estou a proceder) até ao grande dia. Está tudo! A universidade para onde vou (onde a Diana também estudou - sou mesmo uma imitadora pah!), o site onde encontrei a casa onde vou ficar o primeiro mês, como encontrar bilhetes baratos de avião (dicas até dadas pelos próprios leitores), exames de saúde; enfim, um mundo de situações que acredito que todos os pré-emigrantes ou estudantes internacionais se preocupam antes de partir.

Em relação ao final (que adorei) “imitar é feio” pareceu-me ridículo e bastante infantil. Uma vez que este anónimo nunca se deu ao trabalho de ler sequer o nome do próprio blog: BE UNIQUE! Desde miúda que me irrita e me deixa completamente fora do sério frases do género ‘onde compraste isso?’, ‘aiii espero que ainda haja’, ‘será que há o meu número?’. Se há coisa que me deixa completamente fora de mim é a falta de originalidade das pessoas. A preguiça que têm de procurar, de pensar por elas próprias, de se reinventarem! 

Como tal, e porque a conversa já vai longa, para a próxima vez que quiser acusar alguém de plágio, faça-o depois de ter lido todo o blog. Porque senão serei forçada a terminar como a anónima: Difamar é feio! 

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Nem tudo são rosas nos United States...

Cari ragazzi!!

Gostaria imenso de ter tido mais tempo para tratar deste assunto, mas a vontade de o colocar online foi mais forte que eu! Já várias vezes aqui falei do meu fascínio por NY, mas nunca me ouvirão dizer pelos "United States". Sinceramente, acredito que são duas versões distintas do mesmo país. É verdade que nunca lá vivi. Mas já vivi na pele alguns contrastes culturais, económicos e sociais que existem em alguns dos Estados mais conhecidos - Nova Iorque, District of Columbia, Califórnia, Nevada e Flórida. Como tal, a minha opinião não se resume apenas àquilo que já tinha lido, visto na tv ou pesquisado na internet. Todos os textos (sejam eles quais forem) ganham vida quando são falados na primeira pessoa. E são esses os meus preferidos. Não há nada como ir ao sítio e comprovar no terreno ou "beber a informação de alguém que está lá. Reconheço que isto é um privilégio que não está ao alcance de todos, mas o importante é não desistir. A minha lista de países a visitar não pára de aumentar... um dia, com toda a certeza, pisarei St. Petersburg, Pequim e Tóquio, e só nesses dias tirarei todas as minhas teimas, de umas certas coisas que não me saiem da cabeça. Mas por agora vou ter mesmo que me ficar pela informação que me vai chegando de lá, elaborada por um ou outro jornaleco parcial e com pouca ou nenhuma contextualização histórica. Confesso que tenho muitas saudades da papinha na boca que a faculdade nos oferece: bibliografias, documentários, filmes, etc... Mas, didaticamente, fui aprendendo que só perco realmente tempo informativo na televisão nacional com estes quatro senhores: Nuno Rogerio Martim Cabral quando o assunto é política internacional; e com o José Gomes Ferreira Camilo Lourenço quando o tema é dinheiro! Ninguém me tira da cabeça que um casamento perfeito seria entre a Directora da minha Faculdade, Isabel Capeloa Gil e o Nuno Rogerio! (Vai-na-volta e até são marido e mulher, sei lá!) Mas uma coisa eu sei, sentar-me à mesa com estes dois seria levar choques coff porradões coff de cultura geral a cada garfada. Qual google qual quê! Palavra-de-honra que se pudesse pagava para vos mostrar uma aula daquela mulher! Dizia-se ou perguntava-se sobre uma determinada palavra e lá começava ela a desbobinar como se o tempo parasse ali. Incrível mesmo! Mas bom... isto tudo para voltar aos States e legitimar as minhas "fontes de informação".
Há uns dias atrás recebi um comentário, que me encheu as medidas, e uma vez que estava recheado de conteúdo resolvi trazê-lo ao debate. Essencialmente porque sinto que ao mesmo tempo que tenho consciência que possa estar a pintar o meu sonho de viver em NY de cor-de-rosa, também sei que é importante falar da realidade cinzenta e preta daquele país - mas atenção, o que eu quero com este post não é uma ode ou um atestado de ódio a algum país do mundo. Porque de frases feitas: de que "todos os países tem coisas boas e más" estamos nós cansados. Verdade?! Pois bem, o que eu pretendo mesmo com este texto é numerar algumas das fragilidades daquele que para alguns é "o melhor país do mundo" - todos sabemos, ou já deveríamos saber, que não há países perfeitos. Excepto se os nossos pais forem donos de uma petrolífera qualquer. Sim, porque aí poderíamos ser livres da nossa própria carapaça. Afinal só nestes casos em particular não existe o problema da emigração, legalização, acesso à saúde e à educação. Mas outra verdade universal é que se tivéssemos a conta do banco com dígitos a perder de vista, nunca saberíamos o verdadeiro sabor do sucesso. Quiçá, só numa actividade desportiva, uma vez que ainda não há dinheiro que compre motivação e que te ponha a correr enquanto queres realmente dormir. Anyway... Deixo-vos com o comentário que me fez chegar até aqui:


Como já tinha respondido à leitora, todos estes problemas sócioeconómicos apresentados não são, de todo, novidade para mim. Há muito que deixei de sonhar e acreditar no 'American Dream'. Alguns exemplos que nos chegam aos ouvidos provam muitas vezes (a maioria dos casos) que o preço acaba por ser demasiado alto para o alcançar. Contudo, cabe a cada um de nós reconhecer as suas próprias competências e limitações, pois só nesta consciência deverá subsistir a sua persistência e perseverança. 
Posto isto, e como a conversa já vai longa, vou enumerar alguns pontos que me fazem querer voltar para casa quando o visto findar (claro, que se aparecer um trabalho legal fantástico, que me permita viver e alcançar as regalias necessárias de sobrevivência, escreverei-vos para sempre da Big Apple!):
  • O difícil acesso ao mercado de trabalho (o legal, que me permita envelhecer em casa, descansadinha de vida e rodeada de netos). Experiência pessoal: é de perder a conta à quantidade de pessoas com mais de 60/70 anos que continuam a trabalhar naquele país, literalmente trabalha-se até ao último dia de vida;
  • O difícil acesso à saúde (sem seguros de saúde nada feito). Politicamente muito está a ser feito a este nível, mas mesmo que o Obama consiga dar a volta aos republicanos, estes continuarão a anos luz dos sistemas nacionais de saúde da velha Europa. Experiência pessoal: a poucos dias de partir, desisti de procurar um seguro português que funcione lá, porque por menos de 80€ nada feito. Resta-me esperar e rezar para que quando lá chegar consiga encontrar um seguro um pouco mais barato, se descer para os 50 danço a dança da chuva;
  • O difícil acesso à educação (universitária, que me permita estudar e dar aos meus filhos essa mesma possibilidade). Em Portugal só se queixam os pais dos alunos em privadas que não conhecem os valores das propinas nos Estados Unidos. Logo, ponto número um: ou tens dinheiro para pagar o curso ou o melhor é alistares-te no exército o mais rápido possível - pelo menos, no último documentário que vi, os militares estavam a aliciar os jovens das ruas a inscreverem-se no exército em troca apenas três refeições diárias!! Experiência pessoal: adoraria tirar um curso na Fashion Institute of Technology, mas 11 mil dólares por semestre pareceu-me um boooocadinho demais. Vou pagar 2 mil e tal dólares pelos quatro primeiros meses do curso de inglês para estrangeiros, e já acho um assombro. Mas agora vai ou racha! Só deixo de frequentar as aulas nesta faculdade quando for capaz de pensar em inglês. Sim, por os workshops da FIT não me saem da cabeça.
  • O difícil acesso à rede de transportes públicos (nas zonas mais rurais claro, que nos permitam movimentar sem que seja necessário alugar um carro). Experiência pessoal: quando estive em Los Angels li tanto acerca do mau funcionamento dos transportes que a opção de conduzir por lá passou imediatamente para primeiro plano. Sendo o país mais capitalista que conheço, não estranho ao saber que aos fins-de-semana cortam alguns dos transportes porque não há (segundo eles) pessoas suficientes para os manter operacionais. Pobres coitadas das pessoas que têm as folgas aos fins-de-semana e querem nesses dias ir até à cidade mais próxima! "Temos pena" - devem pensar eles. 
  • A forma distorcida como elaboram os censos (sabiam que só são contabilizados os estudantes e empregados?) Todos os desempregados e sem-abrigos são como se "não existissem" para o relatório. Curioso, mas mesmo não sendo nada boa a matemática, parece-me que assim o saldo é sempre positivo - com características de um país desenvolvido! Experiência pessoal: Sabiam que se a Califórnia fosse um país, estaria entre um dos três mais ricos do mundo? E sabiam também que foi onde eu vi mais mendigos por metro quadrado?! - É impressão minha ou isto é um reflexo dos censos???"
  • O fácil acesso às armas (não tenho a menor dúvida que mascaram esta medida de 'protecção',  com o facto de ser uma das maiores indústrias de armamento do mundo!). Experiência própria: graças a Deus não tenho. 
  • A forma engenhosa como propagam o terrorismo psicológico (ninguém me tira da cabeça que o 11 de Setembro foi um atentado dentro da própria casa). Experiência própria: assunto tabu para praticamente todos os americanos com quem privei. Confesso que se eu fosse americana também acharia mais fácil e confortável acreditar que o 'dia que ninguém esquecerá' foi realmente um acto terrorista de estrangeiros. Em tempos, correu na internet um vídeo com a teoria da conspiração deste ataque. Falarei sobre ele quem sabe no futuro.
  • A prática da pena de morte é o único assunto pela qual não teço qualquer tipo de opinião. Acho realmente que só criminosos se devem preocupar com este assunto. (Claro, que eu estou consciente que se pode matar alguém inocente, mas realmente nunca pensei muito acerca disto, nem GRAÇAS A DEUS tenho experiência pessoal sobre o tema).
Mas pronto, opiniões à parte, haverá sempre motivos que me façam MUITO querer ir viver para aquela 'selva de asfalto'. Ainda assim, rezando todos os dias para que nenhum maluco seja despedido e ande aos tiros à frente do Empire State - que é colado à minha faculdade; que nunca mais volte a cair nenhuma torre (em qualquer parte do mundo); que nunca precise de ir ao médico; que os transportes funcionem sempre quando eu estiver a contar com eles; e que as propinas não aumentem mais depois da passagem de ano!


Leitura actual. Vou demorar mais do que gostaria a terminá-lo,
mas espero estar, pelo menos, a meio quando entrar no avião!

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

O lápis azul não mora aqui!

Resposta a este comentário:


Cari ragazzi, ou hoje particularmente, Cari Anónimati!!

Memorizem esta data meninas: Oito de Outubro de 2014, o dia em que a minha caixinha de recordações se tornou oficialmente um blog sério! Finalmente acordei o meu primeiro hater, oficializando a minha pertença nesta grande família que é a blogosfera. Agora sim, tenho tudo a que uma blogger tem direito: centenas de visualizações diárias, comentários fofinhos e ódios de estimação! Mas antes de proceder ao meu direito de resposta, quero apenas despertar a vossa atenção para o rigor com que este ‘anónimo’, com um elevadíssimo conhecimento de causa, fundamentou a sua opinião. Mas antes da minha bombástica resposta (adoro teasers!), queria deixar umas perguntinhas ao ‘anónimo’, na esperança de que um dia ele se torne o seu próprio lápis azul:
  1. Quantos ‘TÓLICOS’ (alcunha fofinha para ex-alunos da católica) que terminaram o curso no verão de 2010/2011 que estejam efectivamente empregados conhece?
  2. Quantos desses tólicos estão em processo de estágios curriculares e/ou profissionais?
  3. Quantos estão ainda a realizar e já a contar os últimos dias de estágio e à procura do próximo?
  4. Quantos se encontram insatisfeitos com os 8 mil euros que os papás gastaram investiram nas suas carreiras?
  5. Quantos perpetuaram os estudos ‘mestrando-se ou douturando-se’ só para se sentirem úteis na sociedade?
  6. Quantos acabaram por mudar de áreas só para tentar a sua sorte no mercado de trabalho?

Bem, para uma mente brilhante e iluminada como a sua, acho que já tem aqui pano para mangas! Vá, dedique pelo menos o mesmo tempo que precisou para escrever este comentário para pensar sobre o assunto. E no futuro faça o mesmo exercício antes de clicar no botão ‘comentar’, garanto-lhe que ganhará anos de vida pessoal. Seguramente, acabarão as desculpas para não praticar desporto logo pela fresquinha (hora do envio do comentário), tomar um pequeno-almoço com direito a panquecas e sumo de laranja natural, e ainda tempo de sobra para olhar para o seu umbigo e reconhecer todas as suas apti(podri)dões e perceber onde pode ‘virar a página’, espero que tenha menos de 25 anos, senão esqueça! O tempo de mudança para si já expirou! A não ser que esteja a falar com alguém que tenha um ordenado acima dos 2 mil euros, um cargo de chefia, seja bilingue e com projecção de carreia profissional no estrangeiro, esqueça tudo o que leu até agora.

Mas voltando a mim, e à minha passagem por essa grande instituição de ensino que é a Católica e as suas elevadíssimas taxas de empregabilidade! Bom, tendo eu sido, efetivamente, uma pupila concedo-me o direito e o conhecimento de causa necessário para validar todas as peripécias que experienciei.
Recuemos então quatro anos no tempo, ao meu último ano de licenciatura. Durante este período a lavagem cerebral quanto aos benefícios de prosseguir os estudos começaram a ser demasiado intensas, até para os mais distraídos... A (des)vantagem da crise foi mesmo essa, perpetuarem-nos a teóricos académicos o resto da vida. Sim, porque a prática, essa vai ter que esperar ou seguir para outro departamento/outro cachet – Centro de Estágios da Faculdade. Resumidamente, quando um aluno termina o curso na Católica (e se ainda lhe sobraram uns trocos) é encaminhado para o mestrado ou para o gabiente de estágios. E perguntam vocês, porque raio é necessário dinheiro para a segunda opção e eu respondo: porque para tudo naquelas quatro paredes é preciso abrir a carteira e vender a alma ao Diabo. Perante isto,  decidi  passar estas duas hipóteses à frente. Primeiro, porque depois de escolher uma área de formação demasiado cedo (18 anos), percebi que a tese de mestrado só faria sentido quando tomasse consciência:
·   Do que gosto realmente de fazer;
·   Se tenho verdadeiramente aptidões para;
·    Se a empresa onde estou empregada apoia a minha decisão e a valoriza;
·    E se é suficientemente ‘fora’ da minha zona de conforto para me fazer crescer.
E a inscrição no Centro de Estágios da Faculdade envolveria:
·   O pagamento de 150€ de inscrição que me daria a possibilidade de concorrer a um estágio numa
empresa “à minha escolha” (ou seja, dentro dos infinitos acordos que a Católica mantem com o
mercado de trabalho);
·  E o pagamento de quase 200€ por cada mês de estágio na empresa (atenção, que não receberia
ordenado e ainda teria que pagar pelo trabalho que desenvolveria na empresa. O coordenador justifica
este pagamento com o ‘suposto’ acompanhamento durante o tempo que tiver na empresa (bullshits!) e
a avaliação do relatório final.
Como desde o início coloquei na cabeça que não faria parte desta máfia de exploração de recém-licenciados, porque acredito que uma coisa é não receber ordenado durante um processo de aprendizagem, outra completamente diferente é PAGAR PARA TRABALHAR! Vai daí, comecei a minha luta (sozinha) pelo encontro do meu lugar ao sol. Passei por várias agências de comunicação, de meios, e alguns meios de comunicação, e fiquei chocada quando fui aceite na Rádio Renascença e a Directora dos Recursos Humanos ‘cansada’ de receber licenciados da Católica não tinha conhecimento destes ‘valores’! Pedi-lhe inclusive que mantivesse a minha candidatura autónoma, o que me foi aceite. Mais tarde, candidatei-me novamente a outro órgão de comunicação – a revista LUX – onde fui aceite para começar a trabalhar no dia seguinte. A minha indignação chegou com o telefonema da tarde onde fui informada que afinal não poderia começar o estágio no dia seguinte porque não me encontrava inscrita no plano de estágios da faculdade! Ou seja, para além de não nos ajudarem a encontrar estágios e ainda nos bloqueiam o acesso a quem tenta concorrer espontaneamente!!

Reflexos desta política:
·   Estrangulamento da oferta do mercado de trabalho;
·  Bloqueio a outros recém-licenciados (de outras universidades) participarem em estágios – porque os
acordos entre a Católica e as empresa assim o exigem;
·   As empresas deixam de contratar porque têm sempre mão de obra disponível para colaborar;
·  E este ciclo vicioso obriga-nos a ponderar a hipótese de, afinal, pertencer à ‘máfia’, sob pena de nunca
mais conseguir encontrar estágios na área.

Por isso querido(a) anónimo(a), agradece-lho imenso o seu comentário, pois tornei finalmente público um flagelo que continua a afectar imensos jovens da minha idade. Mais de metade dos meus colegas de curso preferiram voltar a investir gastar mais uns trocos (entre 8 a 10 mil euros) em mais dois anos a queimar pestanas; enquanto outros continuam a gastar ‘migalhas’ para brincar aos trabalhadores. Como tal, nunca mais se deixe enganar pelo buzz em torno da taxa de empregabilidade. Porque a era dourada, em que todos saiam dali directamente para grandes cargos, que hoje estão reservados a meia dúzia de gatos pingados (os filhos e os afilhados da primeira fornada) acabou! Confesso que se pudesse voltar atrás no tempo teria estudado mais no secundário e entrado na melhor faculdade pública de comunicação social do país – a Escola Superior de Comunicação Social de Benfica. Mesmo sentindo imensas saudades das aulas, dos professores, da organização e do rigor catoliano.