Pior que regressar a casa depois de umas mini-férias é mesmo ter que arrumar o excesso de tralha que acabamos sempre por levar (e trazer)... Quem partilha deste sentimento? Quero saber como passaram o vosso Carnaval e se concordaram com os vencedores do Óscares. Conseguiram manter a low carb durante estes dias ou vão arregaçar as mangas comigo e iniciar um novo desafio #31 dias Low Carb High Fat? New month new beginnings, remember?
Amanhã prometo voltar aos posts que já vos habituei!
Mas se tiverem dúvidas, sugestões ou confidências contem-me tudo!!
Pode ser um óptimo ponto de partida para preparar os próximos posts.
Ontem fiquei tristíssima por ouvir a mãe dizer que este ano não montaria o pinheirinho... Depois de anos e anos a pedir uma árvore enorme, maior que eu, e com uma decoração bem tradicional (bolinhas, lacinhos e luzinhas), a mãe diz que este ano ia comprar uma mais piquena - um centro de mesa, portanto. Nunca me disse o verdadeiro motivo para não a querer fazer. Mas eu entendi só com o tom da sua voz. É importante que a minha viagem relâmpago para Nova Iorque não altere as rotinas, as tradições e a alegria nos momentos que passamos juntos. Quer queiram, quer não isso deixa-me com um sentimento de culpa gigante.
Afinal, o meu irmão não tem de ser privado do Natal, a que já o habituámos só porque eu vou passar uma temporada fora; a minha mãe não pode perder a alegria da época, que tão bem me passou, só porque está aflita com todos os perigos que me poderão acontecer na outra ponta do oceano; e o pai, depois de anos e anos a ser ensinado sobre o que é realmente o espírito natalício, não pode esquecer-se da dádiva que é estarmos todos reunidos em família, no quentinho, à conversa e a gargalhar, e sempre gratos por tudo isto.
Por estes motivos, quando todas as condições estavam reunidas: lareira acessa, televisão ligada (para fazer barulho), potato sentado no sofá, a mãe a cirandar e o pai a fazer o melhor arroz de feijão do mundo (para matar o desejo da menina - eu), lá fui eu a arrecadação buscar a tralha toda e pus-me a montar a árvore. Continua enorme, bonita e com cheiro a 'casa'. São estas pequenas coisas que me enchem o coração e que me fazem pensar no regresso, antes mesmo de ter partido. Isto e sonhar com a cowboiada que está para aí a vir com a chegada dos tios e primos de Paris!! Quem me priva disto, priva-me do mês de Dezembro, da alegria e da comunhão. Como tal, este ano não se sintam tristes pela minha partida (breve), e que não são merecedores deste clima de festa e união. Pelo contrário, são o conjunto de todos os natais maravilhosos que tive que não me deixam ir para sempre.
Ainda assim, mesmo achando que esta frase se encaixa como uma luva, isto lá bem no fundo assusta-me um bocadinho... Se por um lado adoro fazer malas, planear viagens e viver como os locais, por outro lado também adoro regressar ao ponto de partida. Adoro voltar para os cheiros, cantos e vida do costume. Gosto que me recebam e gosto de contar na primeira pessoa todas as aventuras que experienciei. Ou seja, mesmo amando todas as partidas, quem me tira o sabor da chegada tira-me tudo! Aliás, para mim, uma viagem só está completa nesse momento, quando coloco a chave à porta (à minha porta) e volto a sentir novamente a fome de uma história nova. Para ser sincera, nunca me imaginei nómada, mesmo invejando todas aquelas pessoas que têm mil e umas histórias para contar...
Nesta fase, já me disseram inúmeras vezes para praticar o 'desapego', mas como? Será que os 'desapegados' nunca tiveram molduras (ou viajam com todas as molduras às costas? of course not!), ou nunca tiveram animais de estimação, ou nunca tiveram um sofá ou cama de que realmente gostassem e que os fizessem sempre regressar, ou serão desligados por natureza e as saudades nunca os afectam, ou, na pior das hipóteses, nunca gostaram de "casa" - país, casa, família? Não é fácil pessoas. Não é nada fácil o que me pedem... Como tal, só no dia em que couber tudo isto na minha mala de viagem é que tornar-me-ei nómada para o resto da vida!
Este fim-de-semana caiu-me finalmente a ficha, e tudo por causa desta música. Assim que os primeiros acordes começaram a tocar na rádio as lágrimas não deram tréguas durante alguns minutos. Talvez seja da aproximação do mês de Dezembro, não sei. Ou só o medo da partida. Ou o meu desejo que ele fique por lá comigo também. No fundo, espero mesmo que seja apenas o medo do desconhecido a falar mais alto. Eu sei que estas lágrimas não foram com certeza as últimas desta grande aventura, fazem parte do caminho. Elas não me demovem, mas deixam-me completamente de coração partido. Dói horrores imaginar-me sozinha, sentir que possa estar a magoar alguém ou estar a ser egoísta. Dói, mas não o suficiente para me fazer ficar. Não ir seria renegar-me. Renegar os meus sonhos e aspirações. Mas ir não é menos penoso. Actualmente estou naquela fase de braços ao alto à espera que tudo corra pelo melhor e que valha muito a pena! Já dizia o ditado: 'às vezes só damos valor as coisas quando as perdemos'. Não que alguma vez tivesse duvidado do meu estado enamorada, mas agora dou o dobro do valor a um momento a dois, em casa, sem pressas, sem planos, sem horas. Só eu e ele. Só nós. Aquela cidade será sempre fria e eu um cubinho de gelo à espera que me derretas. I'm always waiting for you. Imaginar-me a despedir-me de ti em NY é inimaginável. Love you S.