quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Nem tudo são rosas nos United States...

Cari ragazzi!!

Gostaria imenso de ter tido mais tempo para tratar deste assunto, mas a vontade de o colocar online foi mais forte que eu! Já várias vezes aqui falei do meu fascínio por NY, mas nunca me ouvirão dizer pelos "United States". Sinceramente, acredito que são duas versões distintas do mesmo país. É verdade que nunca lá vivi. Mas já vivi na pele alguns contrastes culturais, económicos e sociais que existem em alguns dos Estados mais conhecidos - Nova Iorque, District of Columbia, Califórnia, Nevada e Flórida. Como tal, a minha opinião não se resume apenas àquilo que já tinha lido, visto na tv ou pesquisado na internet. Todos os textos (sejam eles quais forem) ganham vida quando são falados na primeira pessoa. E são esses os meus preferidos. Não há nada como ir ao sítio e comprovar no terreno ou "beber a informação de alguém que está lá. Reconheço que isto é um privilégio que não está ao alcance de todos, mas o importante é não desistir. A minha lista de países a visitar não pára de aumentar... um dia, com toda a certeza, pisarei St. Petersburg, Pequim e Tóquio, e só nesses dias tirarei todas as minhas teimas, de umas certas coisas que não me saiem da cabeça. Mas por agora vou ter mesmo que me ficar pela informação que me vai chegando de lá, elaborada por um ou outro jornaleco parcial e com pouca ou nenhuma contextualização histórica. Confesso que tenho muitas saudades da papinha na boca que a faculdade nos oferece: bibliografias, documentários, filmes, etc... Mas, didaticamente, fui aprendendo que só perco realmente tempo informativo na televisão nacional com estes quatro senhores: Nuno Rogerio Martim Cabral quando o assunto é política internacional; e com o José Gomes Ferreira Camilo Lourenço quando o tema é dinheiro! Ninguém me tira da cabeça que um casamento perfeito seria entre a Directora da minha Faculdade, Isabel Capeloa Gil e o Nuno Rogerio! (Vai-na-volta e até são marido e mulher, sei lá!) Mas uma coisa eu sei, sentar-me à mesa com estes dois seria levar choques coff porradões coff de cultura geral a cada garfada. Qual google qual quê! Palavra-de-honra que se pudesse pagava para vos mostrar uma aula daquela mulher! Dizia-se ou perguntava-se sobre uma determinada palavra e lá começava ela a desbobinar como se o tempo parasse ali. Incrível mesmo! Mas bom... isto tudo para voltar aos States e legitimar as minhas "fontes de informação".
Há uns dias atrás recebi um comentário, que me encheu as medidas, e uma vez que estava recheado de conteúdo resolvi trazê-lo ao debate. Essencialmente porque sinto que ao mesmo tempo que tenho consciência que possa estar a pintar o meu sonho de viver em NY de cor-de-rosa, também sei que é importante falar da realidade cinzenta e preta daquele país - mas atenção, o que eu quero com este post não é uma ode ou um atestado de ódio a algum país do mundo. Porque de frases feitas: de que "todos os países tem coisas boas e más" estamos nós cansados. Verdade?! Pois bem, o que eu pretendo mesmo com este texto é numerar algumas das fragilidades daquele que para alguns é "o melhor país do mundo" - todos sabemos, ou já deveríamos saber, que não há países perfeitos. Excepto se os nossos pais forem donos de uma petrolífera qualquer. Sim, porque aí poderíamos ser livres da nossa própria carapaça. Afinal só nestes casos em particular não existe o problema da emigração, legalização, acesso à saúde e à educação. Mas outra verdade universal é que se tivéssemos a conta do banco com dígitos a perder de vista, nunca saberíamos o verdadeiro sabor do sucesso. Quiçá, só numa actividade desportiva, uma vez que ainda não há dinheiro que compre motivação e que te ponha a correr enquanto queres realmente dormir. Anyway... Deixo-vos com o comentário que me fez chegar até aqui:


Como já tinha respondido à leitora, todos estes problemas sócioeconómicos apresentados não são, de todo, novidade para mim. Há muito que deixei de sonhar e acreditar no 'American Dream'. Alguns exemplos que nos chegam aos ouvidos provam muitas vezes (a maioria dos casos) que o preço acaba por ser demasiado alto para o alcançar. Contudo, cabe a cada um de nós reconhecer as suas próprias competências e limitações, pois só nesta consciência deverá subsistir a sua persistência e perseverança. 
Posto isto, e como a conversa já vai longa, vou enumerar alguns pontos que me fazem querer voltar para casa quando o visto findar (claro, que se aparecer um trabalho legal fantástico, que me permita viver e alcançar as regalias necessárias de sobrevivência, escreverei-vos para sempre da Big Apple!):
  • O difícil acesso ao mercado de trabalho (o legal, que me permita envelhecer em casa, descansadinha de vida e rodeada de netos). Experiência pessoal: é de perder a conta à quantidade de pessoas com mais de 60/70 anos que continuam a trabalhar naquele país, literalmente trabalha-se até ao último dia de vida;
  • O difícil acesso à saúde (sem seguros de saúde nada feito). Politicamente muito está a ser feito a este nível, mas mesmo que o Obama consiga dar a volta aos republicanos, estes continuarão a anos luz dos sistemas nacionais de saúde da velha Europa. Experiência pessoal: a poucos dias de partir, desisti de procurar um seguro português que funcione lá, porque por menos de 80€ nada feito. Resta-me esperar e rezar para que quando lá chegar consiga encontrar um seguro um pouco mais barato, se descer para os 50 danço a dança da chuva;
  • O difícil acesso à educação (universitária, que me permita estudar e dar aos meus filhos essa mesma possibilidade). Em Portugal só se queixam os pais dos alunos em privadas que não conhecem os valores das propinas nos Estados Unidos. Logo, ponto número um: ou tens dinheiro para pagar o curso ou o melhor é alistares-te no exército o mais rápido possível - pelo menos, no último documentário que vi, os militares estavam a aliciar os jovens das ruas a inscreverem-se no exército em troca apenas três refeições diárias!! Experiência pessoal: adoraria tirar um curso na Fashion Institute of Technology, mas 11 mil dólares por semestre pareceu-me um boooocadinho demais. Vou pagar 2 mil e tal dólares pelos quatro primeiros meses do curso de inglês para estrangeiros, e já acho um assombro. Mas agora vai ou racha! Só deixo de frequentar as aulas nesta faculdade quando for capaz de pensar em inglês. Sim, por os workshops da FIT não me saem da cabeça.
  • O difícil acesso à rede de transportes públicos (nas zonas mais rurais claro, que nos permitam movimentar sem que seja necessário alugar um carro). Experiência pessoal: quando estive em Los Angels li tanto acerca do mau funcionamento dos transportes que a opção de conduzir por lá passou imediatamente para primeiro plano. Sendo o país mais capitalista que conheço, não estranho ao saber que aos fins-de-semana cortam alguns dos transportes porque não há (segundo eles) pessoas suficientes para os manter operacionais. Pobres coitadas das pessoas que têm as folgas aos fins-de-semana e querem nesses dias ir até à cidade mais próxima! "Temos pena" - devem pensar eles. 
  • A forma distorcida como elaboram os censos (sabiam que só são contabilizados os estudantes e empregados?) Todos os desempregados e sem-abrigos são como se "não existissem" para o relatório. Curioso, mas mesmo não sendo nada boa a matemática, parece-me que assim o saldo é sempre positivo - com características de um país desenvolvido! Experiência pessoal: Sabiam que se a Califórnia fosse um país, estaria entre um dos três mais ricos do mundo? E sabiam também que foi onde eu vi mais mendigos por metro quadrado?! - É impressão minha ou isto é um reflexo dos censos???"
  • O fácil acesso às armas (não tenho a menor dúvida que mascaram esta medida de 'protecção',  com o facto de ser uma das maiores indústrias de armamento do mundo!). Experiência própria: graças a Deus não tenho. 
  • A forma engenhosa como propagam o terrorismo psicológico (ninguém me tira da cabeça que o 11 de Setembro foi um atentado dentro da própria casa). Experiência própria: assunto tabu para praticamente todos os americanos com quem privei. Confesso que se eu fosse americana também acharia mais fácil e confortável acreditar que o 'dia que ninguém esquecerá' foi realmente um acto terrorista de estrangeiros. Em tempos, correu na internet um vídeo com a teoria da conspiração deste ataque. Falarei sobre ele quem sabe no futuro.
  • A prática da pena de morte é o único assunto pela qual não teço qualquer tipo de opinião. Acho realmente que só criminosos se devem preocupar com este assunto. (Claro, que eu estou consciente que se pode matar alguém inocente, mas realmente nunca pensei muito acerca disto, nem GRAÇAS A DEUS tenho experiência pessoal sobre o tema).
Mas pronto, opiniões à parte, haverá sempre motivos que me façam MUITO querer ir viver para aquela 'selva de asfalto'. Ainda assim, rezando todos os dias para que nenhum maluco seja despedido e ande aos tiros à frente do Empire State - que é colado à minha faculdade; que nunca mais volte a cair nenhuma torre (em qualquer parte do mundo); que nunca precise de ir ao médico; que os transportes funcionem sempre quando eu estiver a contar com eles; e que as propinas não aumentem mais depois da passagem de ano!


Leitura actual. Vou demorar mais do que gostaria a terminá-lo,
mas espero estar, pelo menos, a meio quando entrar no avião!

3 comentários:

  1. Rapariga tu divagas tanto. Escreves tanto e no final não dizes nada! Tanta coisinha que para ai disseste que não faz sentido nenhum. Vai para lá, vives uns quantos meses (as vezes é preciso anos para ter uma opinião formada) e depois sim dá o teu parecer.

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    1. Não diria melhor do seu comentário Sr. Anônimo!

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  2. Depois de ler já alguns comentários a perguntarem: 'Afinal porque vais?' Eu respondo: Eu espero que com a minha mudança para NY consiga mudar muito a minha opinião. Espero mesmo estar muito enganada em relação aos pontos que escrevi nas últimas linhas do post. Mas espero que esses críticos também sejam mais rigorosos nas suas opiniões, porque se forem ler todos os artigos para trás, notarão que há muitos mais motivos positivos, que me fazem sonhar com o dia da partida, do que o contrário. Como digo no post: 'não há países perfeitos'. Existirão sempre pontos bons e menos bons, seja qual for o país. E sendo este um post dedicado a algumas fragilidades dos Estados Unidos, só me foquei nesse ponto em concreto, suscitado por um comentário de uma pessoa que já lá vive há algum tempo. E só por isso resolvi dedicar um post a este assunto que me preocupa. Contudo a minha lista dos 'PRÓS' é bastante maior, asseguro-vos. Mas também sei que é do sentimento crítico e da tomada de consciência de um problema que podemos tentar fazer parte da solução.

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