terça-feira, 7 de julho de 2015

Conflito geracional


Cara ragazza!!

Depois de alguma insistência vossa, finalmente resolvi responder a um assunto que, ao que parece, apoquenta muitíssimo os meus leitores:


Mas antes de passarmos à minha resposta propriamente dita, deixo-vos com duas músicas para entrarem no espírito do tema - pela vossa rica saúde oiçam as letras (todas) das músicas e por esta ordem de ideias.


Deolinda - Parva que sou

"E parva eu NÃO sou!
E fico a pensar...
Que mundo tão parvo,
Onde para ser escravo é preciso estudar!"


Gabriel o Pensador - Até Quando?

"Muda, que quando a gente muda o mundo muda com a gente.
A gente muda o mundo na mudança da mente.
E quando a mente muda a gente anda para a frente.
E quando a gente manda ninguém manda na gente.
Na mudança de atitude não há mal que não se mude nem doença sem cura. Na mudança de postura a gente fica mais seguro, na mudança do presente a gente molda o futuro!"

Se depois deste momento musical ainda sente que faz parte da Geração Rasca ou à Rasca, então este texto foi escrito a pensar em si.

Agradeço, desde já, a pertinência do leitor em ter deixado um comentário acerca da minha suposta "vida de luxo" em Nova Iorque. Mas acredite que "muitas vezes o que parece não é". Atenção que não estou a dizer que só fui dois minutos à piscina tirar uma fotografia com um hambúrguer alheio e depois voltei para casa cozer meias e fazer os tcp's. Pelo contrário, eu realmente tenho sabido aproveitar todas as oportunidades que esta cidade tem para nos oferecer, e efectivamente tenho o feito da melhor maneira possível. 

Concordo consigo quando afirma que infelizmente há muitos jovens em Portugal que não conseguem atingir a independência necessária para que se libertem do título de "paitrocínio". E que de alguma forma, eu lhe possa parecer mais uma menina patrocinada pelo amor incondicional dos meus pais. Todavia, uma vez mais, vou ter que lhe responder da mesma forma: "muitas vezes o que parece não é".

Como antiga dependente que fui dos meus pais, acho que posso afirmar, finalmente, que na realidade não se perdeu nada de uma geração para outra. Na minha opinião, ganhou-se bastante até. Afinal, a malfadada crise ensinou-nos a fazermos mais com menos e a sermos mais felizes com pouco ou quase nada. No fundo, a dureza do futuro incerto ensinou-nos a ver o copo SEMPRE meio cheio e a vivermos segundo esta máxima. Claro, que o mais fácil teria sido eu ter ficado em casa a lamentar-me sobre o que a minha vida poderia ter sido e não foi. Mas não, nos últimos dois anos arregacei as mangas, trabalhei afincadamente, procurei bolsas de estudos para estudantes internacionais e um dia comprei uma passagem só de ida. 

Assim sendo, a crise só me deu o empurrão que precisava para suplantar as gerações dos meus pais. A geração que emigrava para pagar a casa e os estudos dos miúdos, que se encontrava à sexta e ao sábado nas discotecas,  etc e tal. Nós, a nossa geração, aprendeu a preferir os parques e/ou a praia para matar as saudades dos amigos e a ouvir as nossas playlists nos iPhones. Aceitamos fazer "qualquer" tipo de trabalho desde que esse esforço nos leve à cidade, ao concerto e/ou à loja da moda. Não somos menos inteligentes por isso, somos é menos preguiçosos e mais audazes. E quando acaba o dinheiro para o Gin reunimos os últimos trocos e copiamos os nuestros hermanos com os botellóns.

Depois de aqui chegar, o segredo foi continuar a minha pesquisa sobre dicas sobre o que fazer a custo zero ou muito reduzido (há inúmeras aplicações que podem ser descarregadas para o telemóvel  como o FEVER, por exemplo). Claro que se aliarmos a isto a capacidade de adaptação e a uma constante crescente rede de contactos, em pouco tempo terás uma vida social super activa e praticamente a custo zero. Cuidado com a interpretação que fazem com "rede de contactos", porque entradas e bebidas à pala nos sítios fancy da cidade vieram directamente de uma personagem feminina do grupo. (Por isso, anónimo fofinho que me lês todos os dias e me envias as melhores anedotas matinais que uma blogger pode ler, desiste de entrar por aqui, okay?)

Enfim, tudo isto para dizer que o marketing em NY é levado estupidamente a sério. O que faz com que esta competição feroz crie um mundo de oportunidades para os consumidores como eu - independentes de "paitrocínio". O truque é estar atento às happy hours, aos try out, aos vales de descontos e às promoções diárias.

Posto isto, se acham que Nova Iorque, ou outra cidade qualquer no mundo, é demasiado cara ou distante da vossa realidade, façam as malas o quanto antes e partam à aventura. Porque como todos sabemos: a sorte protege os audazes!

30 comentários:

  1. Eu não teria respondido melhor. Aliás, teria...respondido menos. Eu sei que é inevitável e é mais forte que nós mas sinceramente dá tanto nojo ver como as pessoas usam argumentos moralistas apenas para coscuvilhar a vida alheia e quererem saber tanto da nossa vida como nós.
    E se fosses uma menina rica que foi para Nova Iorque à custa dos pais, alguém tinha alguma coisa a ver com isso? Não me parece...
    Só tenho pena de não ter a mesma capacidade de largar tudo e simplesmente, ir....

    Beijinho Joana
    xx Sara

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Sara não sejas tonta! Desafio-te a olhar para um mapa mundo e a escolher o destino, depois, a partir desse momento, começas a concentrar todas as tuas energias nesse sonho e um dia partes! Promete que ao menos vais pensar nisto?! Mil beijinhos de quem fez o mesmo! "YES WE CAN"

      Eliminar
  2. Olá Joana.

    Aproveito este post para te pedir umas dicas. Em Setembro irei a Nova Iorque por uma semana com o meu namorado, sendo que esta será a minha segunda vez na cidade e ele a primeira vez. Gostaria de aproveitar tudo ao máximo e ver coisas "menos turísticas", ou seja, aquelas coisinhas que só os locais sabem e que não aparecem nos guias... Por outro lado, vamos com um orçamento controlado, porque queremos aproveitar ao máximo as compras, mas por outro, não queremos deixar de conhecer nada...

    Já referiste a app Fever, aconselhas mais algumas?
    Que sitios/restaurantes/lojas aconselhas a uns jovens de 24 anos, ansiosos pro conhecer e experimentar tudo?

    Obrigada e um beijinho

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Olá Sara, viva!
      Que booa notícia!! Nova Iorque consegue ser tão ou mais romântica que Paris ou outra cidade do mundo, por isso foi uma óptima escolha!! Em relação a dicas de passeios, sítios para comer o melhor brunch, onde passear a pé e sentir-se uma personagem da sétima arte ou apenas admirar a skyline num rooftop da cidade, aconselho a escolher a melhor opção entre os últimos posts que fiz. Eles retratam bem a vida de uma nova iorquina, e com a distância necessária da multidão dos turistas. Mas não nos podemos esquecer que é a primeira vez do seu namorado, logo há coisas que são obriiiigatórias! :D Neste caso, tenho posts sobre como poupar tempo e dinheiro e visitar o máximo possível: http://beuniquehere.blogspot.com/2012/12/new-york-city.html e http://beuniquehere.blogspot.com/2013/10/new-york-city-2013.html. Em relação às compras que tal passar um dia no outlet Jersey Gardens? http://www.simon.com/mall/the-mills-at-jersey-gardens
      Por agora não me lembro assim de mais dicas, mas não hesite em perguntar até lá! Mil beijinhos!

      Eliminar
  3. Esqueceste-te de mencionar o submundo de trabalhos ilegais que pulula em NYC e onde tu e as tuas amigas andam metidas... daí nenhuma falar em concreto do que está a fazer em NYC.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Quando for um assunto legal ou quando chegar a Lisboa falarei abertamente sobre isso, não tenho qualquer tipo de problema! Até lá terá que aguentar a curiosidade mais um tempinho.

      Eliminar
    2. Realmente esta gente. Certamente é alguém que te conhece, se não, não fazia afirmações destas sobre ti e as tuas amigas. Mas ainda bem que "aprovaste" a publicação deste comentário, pois assim a pessoa que o fez vê que não tens problemas em que falem no assunto que menciona.

      Eliminar
    3. Este último comentador tem uma lata. Revolta-se contra o primeiro anónimo, que revela uma situação ilegal e não contra a blogger e amigas, que perpetuam essa situação ilegal. Realmente, há pessoas com os valores todos trocados... e depois revoltam-se com a crise, com os políticos, com os banqueiros... quando, à sua pequena escala, fazem o mesmo!

      Eliminar
    4. Legalmente com o visto de estudante só se pode trabalhar no Campus da universidade, o que não é o caso da Joana.

      Eliminar
    5. Podem dizer-me onde se informaram acerca dos supostos trabalhos ilegais da Joana? Gosto de ter informação antes de "mandar postas de pescada" à vida dos outros.

      Ainda assim, não me parece que algum de nós tenha alguma coisa a ver com a vida que a Joana e as amigas levam.

      Eliminar
    6. Basta ir ao site da emigração e na categoria de F1 vai aparecer toda a informação do visto de estudante. Apenas é legal trabalhar no Campus da universidade, todos os outros trabalhos (babysitter e afins) são pagos under the table. Um pouco de pesquisa e já saberia!

      Eliminar
    7. LOL, fazer comentários sobre a suposta ilegalidade dos trabalhos informais nos EUA é ingenuidade (e que nunca lá meteu os pés). Os Estados Unidos gostam de ilegais, estão na base da sociedade do Americana. Ao fim de 5 min em NY o que se ve imediatamente é publicidade governamental de apoio a “ilegais” por mensagens do género: aparece não queremos saber do teu estado legal. E não é só o Governo, são as seguradoras, centros de apoio, etc. A quantidade de ilegais é tão extensa e aceite, que todos investem em publicidade para este target e anunciam claramente a indiferença ao estado legal.O governo de NY tem um portal que anunciam e pedem as pessoas que se registem, e pedem aos ilegais para se registarem sem medo. Esta publicidade é feita em vários idiomas (Espanhol maioritariamente). Eles só tentam controlar o excesso de entrada, mas se não houvesse tanto ilegal quem ia trabalhar por menos de 5€ à hora. A legalidade só te dá acesso aos empregos melhores. Por isso, leiam e aprendam que vos pode dar jeito. O capitalismo no seu expoente máximo adora ilegais, adora pagar em cash, e de fazer questão de nem saber o teu nome ou origem.

      Eliminar
    8. Anónimo das 22h30, isso é tudo muito bonito, mas não lhe parece um bocado contraditório estes emigrantes portugueses que sairam de Portugal por causa da crise, por não estarem cá a fazer nada, por estarem desempregados e depois vão fazer o quê? Trabalhar ilegalmente em trabalhos de 2a (ou de 3a ou 4a...) em NYC, só porque é NYC. E porque é NYC, é tudo bom e maravilhoso e é "búe fixe" estar lá, quando, vai-se a ver, e vivem em piores condições ainda que em Portugal, mas o que mostram é o rooftop não sei de onde que a amiga xpto arranjou entradas, não falam dessa outra realidade e do que é, na verdade, o seu dia-a-dia.

      Eliminar
  4. Foi uma boa tentativa de pareceres a pipoca mais doce. Mas como já disse num outro comentário (que não publicaste) tu não tens jeitos para escrever, nem para ter um blog. Desiste!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Pois claro, mas como o seu comentário vale o que vale, eu irei continuar a escrever. Só me pergunto porque raio sendo um blog assim tão mau, o que o faz continuar a lê-lo?! Realmente, se só o da Pipoca o faz feliz, deixei de perder o seu rico tempo aqui (ai perdão, o tempo na sua vida sobra-lhe)!

      Eliminar
  5. Sou leitora de várias blogs há anos e deve ser a quarta ou quinta vez que deixo algum comentário, porque de facto este é um assunto que já senti na pele. Mas porque motivo por uns viverem em crise, todos têm que privar-se do que mais gostam porque supostamente isso implica custos que outros não conseguiriam suportar? Infelizmente, sempre houve ricos e pobres no mundo, mas quem pode tem que aproveitar. Então vamos todos deixar de comer ou comer o mínimo possível porque há pessoas a morrer à fome em África? É lamentável, mas nós não podemos mudar isso. A Joana não iria fazer com que a crise passasse por fazer uma vida mais restrita. E se os pais dela pudessem realmente pagar-lhe todos os luxos e mais outros? Que é que alguém tem a ver com isso? Felizmente há quem possa, porque trabalharam, porque tiveram sorte, não interessa, podem. Deixem-se de falsos moralismos e tentem combater é a inveja, que é o principal "mal" que afecta os portugueses. Muita inveja é o que eu vejo na maioria dos comentários.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Obrigada pelas suas palavras querida leitora. No fundo é isso mesmo. Não criei o meu blog para falar sobre os meus extractos bancários, mas sim para partilhar dicas sobre o que fazer nesta cidade. Se acham caro ou barato é problema deles. Basta abrir o sites dos locais por onde passo para descobrirem os preços dos menus, das entradas em museus ou do custo das roupas que compro. E se efectivamente acharem caros então sugiro nunca pisarem esta cidade, porque a única coisa que irão fazer é passear na rua e comer pizza e cachorros a $1! Enfim... a inveja é mesmo um sentimento muito feio!

      Eliminar
  6. ao contrario desses comentarios acima gostei bastante do teu blog ;)

    http://oshomensnaosaotodosiguais.blogspot.pt/

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Obrigada!!! Também já fui espreitar o teu último post e acabei por concordar com o título do teu blog! Parabéns por nos inspirares todos os dias!

      Eliminar
  7. É verdade! A inveja corrói-nos como povo. É sempre uma tentação pensar que os outros só conseguem porque: alguém paga a conta, porque alguém com poder ajuda, porque são amigos de A ou B, porque vivem em tal parte, porque estudaram aqui ou ali, mas no fundo são apenas mentiras esquemas mentais para nos convencer à nem sequer tentar. Mas estas gerações estão à provar que é possível, o pensamento tem de ser: se ha tantos como eu que conseguem vou fazer por conseguir. Sai da preguiça e faz o teu plano, cada vez é mais fácil, com partilhas como a da joana aprendemos muito e ajuda à preparares o teu plano é acreditares que é possível. Ou então fica aí sentado à pensar que é para ricos e afortunados.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. No fundo, se estes anónimos (frustados e desocupados) utilizassem este tempo e energia para traçar um futuro ao invés de criticar as opções dos outros, tenho a certeza que já teriam alcançado alguma coisa de boa na vida! Suficientemente boa para começar a centrar-se mais na sua própria felicidade e deixar a dos outros em paz.

      Eliminar
    2. Sim não haja dúvidas que tu deves de estar a tocar o teu futuro. Voltas para Portugal e vais fazer o que? Trabalhar num call center? Acho te uma triste, sem personalidade, que usa o Blog para só para exibir a vidinha medíocre.

      Eliminar
    3. Concordo com o anónimo das 00:08. Já pensaste que muita gente que aqui comenta tem um emprego normal e vive a sua vidia em Portugal (ou até no estrangeiro)e não tem qualquer ambição para ir para NYC viver a suposta vida maravilhosa que aí vives (mas que toda a gente com um pingo de atenção e discernimento vê que não é assim tão maravilhosa)? A questão é que este blog e a forma como apresentas a tua realidade funciona para os tontos, os que ficam deslumbrados por verem uma foto com o Empire atrás. Para quem já viveu e viajou alguma coisa na vida, consegue perceber um pouco mais fundo que isso e ver a totó que és e como tu e as outras andam iludidas, em estudos e trabalhos da treta, tudo em nome de "viver um sonho", para depois virem todas recambiadas para Portugal ainda mais tesas do que estavam quando viviam cá.

      Eliminar
    4. Mais do que coleccionar currículo, hoje carrego uma mala pesada de tolerância e respeito. Tolerância pelos que são diferentes de mim e um respeito enorme pelas escolhas diferentes que os me rodeiam tomam. Perdi demasiado tempo a apontar o dedo. Um dia parei e foquei-me a mim. Não vendo o sonho americano a ninguém, até porque eu própria não acredito. Continuarei a contar estórias, as minhas estórias. Todavia, as tristes permaneceram comigo. Mas felizmente, a vida não é preta ou branca, há um mundo de cinzentos.

      Eliminar
    5. Mas que é que interessa se vai voltar rica ou pobre? É apenas uma experiência que sempre ambicionou e que vai ficar para a vida, seja ela com mais ou menos limitações. Será que já pensaram que ela não quer voltar rica?! Quer apenas aproveitar o tempo que está a viver numa cidade maravilhosa onde muita gente gostaria de dormir nem que fosse uma noite.

      Eliminar
  8. Olá Joana, estive ai de ferias e segui as tuas dicas, inscrevi-me para assistir a um programa de televisão no site e quando ai cheguei fiz turismo ao contrario. Tive o prazer de ver um estudio de televisão por dentro e no final em vez de pagar, recebi dinheiro! muito bom, gostei muito da dica, comprei umas prendas lindas com o dinheiro e não parei de pensar em ti. beijocas

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Ai que boooom!! Não imaginas como isso me deixou super feliz!!! Afinal, todo o meu "trabalho" (trabalho, porque levo o blog demasiado a sério, tal como os meus leitores, eu também não gosto quando as minhas bloggers preferidas se ausentam por muito tempo, mas também sei reconhecer o trabalho que isto exige) vale mesmo a pena!!! É incrível como até os turistas podem ganhar dinheiro nesta cidade - e nunca assim tão pouco quanto isso! Enfim, com o passar do tempo sabermos começamos a perceber os melhores truques para nos divertirmos e ainda ganharmos dinheiro com isso! Fiquei mesmo muito feliz por a ter feito feliz! Obrigada, por escrever e continuar desse lado! Mil beijinhos

      Eliminar
  9. Joana,sou a anónima autora do comentário que postaste. Queria apenas então expandir os meus pensamentos, sem demasiadas delongas, pois foste amável ao responderes ao comentário e penso que há coisas que gostaria de esclarecer. Antes de mais, tal como mencionei, não era meu objectivo particularizar situações ou pessoas específicas mas sim partir do teu blog para uma discussão um pouco mais geral. Concordo que a crise nos tornou mais criativos, mas pego precisamente no que escreveste para ilustrar o ponto que eu queria fazer desde o início, passo a transcrever "Aceitamos fazer "qualquer" tipo de trabalho desde que esse esforço nos leve à cidade, ao concerto e/ou à loja da moda. Não somos menos inteligentes por isso, somos é menos preguiçosos e mais audazes.". E aqui está o verdadeiro problema, a meu ver, da nossa geração: parece verdade que aceitamos qualquer coisa mas com que objectivo? Aparentemente e segundo o que se vê nas redes sociais e aqui muito bem ilustrado pela frase da autoria da Joana, para pagar a viagem, o concerto ou a loja da moda. Ora isto a mim parece-me extremamente preocupante, pois que pessoas com 27, 28, 29 e por aí adiante já deveriam ter outro tipo de objectivos. É fácil fazer uns biscates para pagar a ida a um festival ou uma passagem na easy jet para ir um fim de semana a Paris, o que não é fácil é ter um plano sólido e trabalhar para uma casa, para um carro, para ter filhos etc. E diz-se ah mas isso é muito difícil e já não dá...mais vale ir um fds a amsterdão que as passagens pela raynair estão estão quase dadas... O problema, Joana, é que esse tipo de biscate e esse tipo de objectivos não foram os que os nossos pais tiveram (obviamente estou a generalizar para uma realidade mais ou menos homogénea na classe média dos finais dos anos 80 e anos 90) e ainda bem para nós, pois que tivemos uma casa onde crescer, boa educação e veja-se lá que ainda nos ajudam a ir estudar para o estrangeiro. Realço que eu não tenho nada contra e acho bem que os pais que podem, ajudem os seus filhos, mas até quando vamos viver nesta ilusão premiada por umas viagens e umas fotos giras nas redes sociais? Quanto à segunda parte do problema..a Joana afirma que somos menos preguiçosos e mais audazes... e aqui deixa-me dizer frontalmente que discordo de ti. Achas sinceramente que somos menos preguiçosos do que os nossos pais e mais audazes do que aqueles que construiram uma vida na ditadura e num Portugal que se teve de desconstruir e construir de Novo na cauda da Europa no pós 25 de Abril. Joana, deixa dizer-te que não, não somos menos audazes pois que nós, num contexto de crise é certo, ainda não fomos capazes de vingar. Nós pouco mais fizemos do que postar fotos no instagram, e isso não requer audácia nenhum, não é uma carreira nem tão pouco um percurso. Falta-nos solidez e valores e sobretudo falta-nos perder este egoísmo e sermos um pouco mais altruístas com os nossos pais, esses sim verdadeiramente audazes pois que mesmo num contexto de crise, ainda arranjam forma de nos apoiar nos nossos sonhos. Mais uma vez, falei em tom geral, sem particularizar as situações nem pessoas. Esta é a minha opinião e retrato que faço da nossa geração, admitindo contudo as honrosas excepções a esta realidade. Tudo de bom e votos de sucesso para o blog.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Este comentário foi removido pelo autor.

      Eliminar
    2. Obrigado pela sua participação. Não há dúvida que ambas sempre estivemos a falar "genericamente" sobre o assunto. Eu falo um pouco sobre aquilo que vejo, com base na experiência pessoal e pelo que vou vendo em amigos. Mas se há coisa que esta cidade me ensinou foi a ver: o copo SEMPRE meio cheio.

      Eu sei que a leitora apenas queria lançar o assunto, sem que a reflexão do mesmo se centra-se em mim, mas às tantas a conversa desviou um bocadinho, que o ataque à blogger deixou de ser indirecto para se tornar directíssimo. E sendo verdade ou não que ando às cavalitas de alguém, tanta critica acabou por resultar no meu desabafo.

      É verdade que a vida está difícil, mas se falar com os seus pais, eles tiveram mais ou menos a mesmas angústias que nós, mas limitaram os seus sonhos à casa, à família e ao futuro dos filhos. Também tenho esses mesmos sonhos (acredito que no geral toda a gente os tenha, mas também sei que é possível hoje ser-se mãe os 40 quase sem problema nenhum, por isso, como vê o meu copo continua meio cheio). Todavia, pelo caminho vou fazendo o que os meus pais achavam que só seria possível se lhes saíssem o totoloto. Felizmente faço parte da geração que acredita que muito do que os meus pais achavam só ser possível com totoloto é possível com determinação.

      No meu caso em particular, trabalhei muito o ano passado e não foi só para vir para uma piscina num rooftop nova iorquino. Trabalhei para conseguir o que os meus pais não me conseguiriam pagar com facilidade - uma experiência de estudante internacional.

      Claro que há um plano, para mim e para a maioria dos que me rodeiam. Cada um luta como pode, pessoalmente escolhi NY para continuar a minha formação. Se o poderia ter feito em Portugal ou na Europa, podia, mas se era aqui que queria vir, se consegui reunir condições para vir para aqui, porque não!? Estou a continuar a minha formação e dentro de poucos meses conto voltar a Portugal para encontrar as oportunidades que não tem abundado por ai, mas entretanto vou mais rica pessoal e profissionalmente. E diariamente vou partilhando o muito do faço por aqui.

      Concordo que a vida não é nem nunca será fácil, nunca foi, nem para os muito ricos é. Basta ver que a última moda aqui nos Estados Unidos é as famílias abastadas deixarem apenas migalhas aos herdeiros directos e a restante fortuna é toda doada para caridade.

      Não foi fácil para quem atravessou a ditadura, não foi fácil para quem foi retornado, não foi fácil para quem emigrou com a “mala-de-cartão”, nunca foi fácil para ninguém. Mas hoje vejo muitos jovens a ter sucesso, em Portugal e no estrangeiro. Somos instruídos, como os nossos pais lutaram que fossemos, já não temos medo de ir, mesmo com o colinho em Portugal arriscamos a partir para o estrangeiro. A visão de que andamos pendurados nos pais é uma visão de copo meio-vazio, e eu recuso essa visão. Quando olho à minha volta vejo muitos a terem sucesso (dentro e fora) vejo muitos como eu a cumprirem sonhos “impossíveis” sem ajuda financeira dos pais.

      Pessoalmente tenho a melhor família do mundo, rica em valores, mas que infelizmente não patrocina festas ou vida boa no estrangeiro. Os meus pais ainda tem o meu irmão para formar, e trabalham no duro para que o meu irmão possa tirar partido deste luxo (acesso ao ensino superior), mas isso não o impediu de trabalhar para alcançar as suas próprias coisas, para me visitar, para ir aos seus concertos e festivais. Por isso não se espante se lhe disser que também ele tem planos para o futuro e que trabalha para eles.

      Só para terminar, claro que se alguma coisa correr mal tenho um “acampamento cigano” aqui em NY para me salvar, nem que para isso tenham que vender tudo! E se no futuro os meus mais novos se meterem numa destas aventuras adoptarei a mesma postura que os meus pais.

      Eliminar